Cassandra

   - Esse vício, um dia, ainda vai ser o teu fim... - censurava-lhe a companheira, de cada vez que o via a segurar uma chávena de café.
   Vício? Qual vício e qual fim? Perguntava-se ele com perplexidade, ele que era um indefectível defensor das virtudes do café e da sua ingestão frequente, que chegava a sentir a contiguidade do paraíso no aroma do café e para quem o doce rilhar do moinho do café equivalia ao som celestial dum coro angélico.
   Profecia ou não, as palavras da companheira provaram ter algum fundamento, quando o cafeinómano foi atropelado por uma carrinha carregada de sacas de cinquenta quilos de café de variedade arábica.

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