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os poros do tempo

   Numa resposta violenta ao silvo da coruja sobre as árvores, ao canto dos grilos e ao quase-choro duma cria de ouriço, deflagrou na noite o alarme electrónico dum carro. Todos os seres reagiram ao som do alarme, animais e  homens, os primeiros remeteram-se a um silêncio prudente, mas as pessoas preferiram interrogar-se sobre a natureza daquele som bizarro. Pessoas como o almocreve que vigiava os cavalos no estábulo, o ferreiro que ainda trabalhava àquelas desoras, a martelar o ferro na bigorna sob a própria luz da fornalha; o moleiro que descia da encosta dos moinhos com uma mula carregada com sacos de farinha.
   Na estrada real, o marquês que empoava o rosto gritou para que o cocheiro detivesse os cavalos, e espreitando à janela do coche perguntou-lhe:
   - Que som infernal era aquele?
   - Não faço ideia, meu senhor, mas às vezes o vento, ou o tempo, prega-nos partidas...


Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...