Orelhão

   Dia pleno numa das artérias mais movimentadas da minha cidade, muitas pessoas nos passeios a entrar e sair de lojas e cafés. Ao princípio da rua, havia um orelhão com um telefone clássico de cor cinzenta, uns vinte metros mais abaixo, um outro orelhão e um outro igual a igual distância deste. Uma senhora sai duma loja, muito apressada, aventura-se a atravessar a rua na diagonal e leva um encosto violento dum carro que segue caminho depois de a derrubar. Fica deitada aos gritos na berma do passeio. Havia muitas pessoas nos passeios a entrar e sair de lojas e cafés. Mas nenhum dos orelhões pareceu ouvi-la.

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