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"O Repouso do Guerreiro", de Mário-Henrique Leiria

   Depois de ter andado bastante tempo de um lado para o outro, voltou a casa, já com 50 anos.
   Trazia um bicho. Uma panterazinha negra de seis meses, cheia de ternura, amizade e dentes.
   Então resolveu ficar sentado, olhando a televisão, os livros, alguma música e várias bebidas.
   Três anos depois ou talvez um pouco mais, não estou agora certo, alguns amigos acharam graça ir visitá-lo.
   Foram.
   Bateram à porta.
   Apareceram dois meninos a abri-la. Dois meninos escuros, com dentes eficazes e sorriso amigo. Rosnavam ternamente.




(in "Novos Contos do Gin - seguidos de Fábulas do Próximo Futuro", Editorial Estampa, Lisboa, 1978)

2 comentários:

  1. gosto imenso dos contos de Leiria!
    neste o inusitado é belo, surpreendente, mas muito belo.

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  2. Gosto partilhado, Angela. Ele tem diversos contos muito bons, e que são bons sobretudo por serem surpreendentes e inesperados - uma escrita inovadora e imaginativa, um fenómeno na época e no contexto sócio-cultural em que se desenrolou.

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Rainha

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