«A Maldição do Faraó», cenas trinta e seis a quarenta e oito.


  O arqueólogo está em sua casa, admirando relíquias egípcias na sua sala aquecida com lareira. Em cima da mesinha de centro estão espalhados daguerreótipos da expedição ao Egipto - os ingleses à porta do túmulo no Vale dos Reis, a tirar o chapéu à esfinge, a cavalgar montados em camelos no meios das dunas.
   A múmia está no exterior, emerge do nevoeiro espesso e mata o cão de guarda, estrangulando-o com um bocado de ligadura, depois os frangos e os gansos do galinheiro, um a um, afogando-os num tanque com água, em seguida, entra em casa pela porta das traseiras. Mata todos os criados, de susto ou por estrangulamento, logo a seguir a esposa do arqueólogo com uma agulha de tricotar, depois a irmã desta sufocando-a com um abraço mortal, e a mãe das duas, a quem prega sustos sucessivos até ela deixar de respirar.
   O arqueólogo continua na sala, e a múmia vingativa persiste na sua matança. No piso superior descobre a jovem filha deste, a tomar banho numa banheira cheia de água. Junta-se a ela, e numa luta feroz dentro de água consegue afogá-la. A vingança estava quase consumada. Faltava o prato principal. Chega à sala, onde entra, encharcado em água e sangue.
   - Quem és tu? - pergunta o arqueólogo a medo.
   - Attchiimm!!

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