a jazente sensação de Déjà vu


   O nosso planeta é como um globo ocular gigantesco e vivemos sobre uma retina à escala do planeta. A nossa imagem e existência, como a de todos os seres e objectos é recebida e processada no interior do planeta, mas ao contrário do globo ocular humano, não existe um canal óptico para conduzir as imagens até a um cérebro, estas são antes reflectidas e projectadas num outro lugar da superfície terrestre, a anos e até séculos de distanciamento do estímulo inicial, período de tempo em que as imagens circulam como ínfimas descargas eléctricas através de rochas e lava e líquidos espessos das profundezas, os ossos, sangue e vísceras do nosso planeta. É pois perfeitamente normal que existam miragens e aparições, que se avistem cidades a pairar sobre as águas ou pirâmides de ouro nos cumes das montanhas, tal como não é absurdo que uma imagem nossa brilhe nas antípodas do planeta num tempo distinto do nosso, como um reflexo fiel do que somos num dado momento ou, o que é ainda mais frequente, como a imagem - um animal, uma rocha ou uma estrela - com que fomos percepcionados pelo planeta e que, no fundo, acaba por ser a nossa verdadeira essência, ainda que vivamos uma vida inteira sem nos apercebermos disso...



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