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O Navio dos Loucos - 2

(Hieronymus Bosch)




O velho homem fazia girar entre os dois polegares o papel com a autorização da Junta Militar, enquanto um seu colega arrastava pelos braços até eles, o corpo dum homem com a face desfeita. Colada ao torso, uma camisa de motivos de losangos, tingida de sangue e de terra.
Ela sentiu-se desfalecer, mas conseguiu aguentar-se. A vala colectiva estava aberta e os corpos juncavam o fundo da vala. O cheiro da morte era iniludível.
- É este o seu irmão?!
Ela observou-o melhor. O rosto estava irreconhecível. A camisa era parecida, mas exibia um coto cicatrizado por altura do cotovelo do braço direito, o que não coincidia com o do seu irmão, e aquele desgraçado era calvo como um ovo, em vez de exibir os cabelos fortes e compridos que ela tantas vezes lhe puxara quando os dois se chateavam.
- O meu irmão merece um enterro digno, e uma lápide com o nome, um lugar onde possamos trazer-lhe flores e chorarmos saudades. A nossa mãe morrerá de vez se não lhe dermos isso!
- É o seu irmão? – Voltou o velho com impaciência, apoiando a sola da bota na pá enterrada no solo.
- É sim, é o meu irmão!


A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...