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Outros dados, e cartas, no final da página
   Era noite e a noite consegue ser espantosamente comprida. Ela mantinha-se acordada, puxou as almofadas para trás das costas e sentou-se na cama a ver televisão com o som off, imagens dum sarau de ginástica dum canal de desporto. Ao seu lado dormia um homem, um perfeito estranho, a respiração da sua boca aberta fazia dançar uma bolha de muco que se formara no canto do lábio. Dormia porque o deixara dormir quando o serviço estava completo. Enternecera-a a sua maciez, a sua bondade quase feminina, a gratidão que exteriorizara pelo prazer proporcionado por ela com as suas sábias carícias e a felação, o medo de magoar que se tornou evidente quando a sodomizou de olhos nos olhos. Parecia-lhe ser um homem doce,o oposto de todos os que conhecera naqueles anos de ofício amoroso, que conseguiam ferir mesmo quando não agrediam, rebaixando-a com palavras e violentando-a com o seu desprezo e o seu nojo. Chegou-se ele e afagou-lhe os cabelos, desinquietada pelo carinho que experimentava por um desconhecido. Talvez ele quisesse voltar mais vezes, ou ficar mesmo por ali. Talvez aquilo fosse amor.

Rainha

                Subiu lesto os parcos degraus que separavam o átrio do hotel do recinto sobrelevado onde haviam instalado a receção. Ab...