enterro digno

- A que horas é que ele morreu? - perguntou o coveiro no portão do cemitério.
O morto estava deitado com os membros embrulhados, num carrinho de mão. Uma pequena multidão formara-se em volta.
- Às onze horas de ontem - respondeu a viúva, a abanar-se com um leque.
- Só pode ir para a cova ao fim de vinte e quatro horas - lembrou o coveiro.
- Espero que não comece a cheirar mal, debaixo deste sol - preveniu o filho do falecido, sentando-se na roda pneumática para descansar do esforço - caso aconteça, vou-me já embora!

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