o limiar

   Acontecia-lhe ter pesadelos terríveis, com monstros hediondos que a atacavam, criaturas que não lembrariam a um aderecista de filmes de terror, todos eriçados de garras e espinhos, tentáculos, fauces ensaguentadas. O médico receitou-lhe uns comprimidos para dormir profundamente, e esses monstros desapareceram, de facto, das suas noites, expulsos para algum lugar, certamente longínquo. A sua alegria não durou muito tempo, e começou a definhar com o regresso dum desses monstros quando se preparava para dormir, ou duma parte dele, um tentáculo esponjoso que surripiou os comprimidos da sua mesa-de-cabeceira num gesto rancoroso.

arenga sobre o amor

«Tu és a mulher amada: destrói-me! Tua beleza /Corrói minha carne como um ácido! Teu signo / É o da destruição! Nada resta / Depois de ti ...