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Forever more

«A modesta propriedade onde vivo, é composta por uma casa simples (pouco mais do que um barraco), aninhada num terreno exíguo que considero meu de direito. O espaço em volta da casa é um jardim natural com ervas e malvas, pedras, e silvas. A norte, junto à nogueira que aí se ergue, orgulhosa, estende-se para um lado e para o outro uma sebe que foi prosperando por si mesma a partir de pés que alguém plantou em tempos ao longo da vedação de rede. Nos campos para alem desta, é muito comum - quase uma constante - existirem corvos, muitos corvos, que preenchem a minha vida com o seu crocitar áspero, e que me iluminam as pupilas quando os observo junto à sebe. Nunca percebi muito bem porque é que os corvos elegeram aquele lugar para se demorarem, e porque é que regressam sempre ali depois de terem partido. Talvez tenham percebido o quanto eu gosto deles, e como são importantes para mim na minha solidão e no meu desapego ás pessoas. Mas é possível que a explicação seja mais simples. Os corvos são animais inteligentes, como certamente já constataram, e devem ter percebido que lhes é conveniente andarem por ali, uma vez que de vez em quando lhes atiro por cima da sebe, as sobras de carniça das minhas vítimas».

1 comentário:

  1. Conto tétrico! será que sempre haverá corvos em situações negras?
    Seria interessante se o "nunca mais" fosse dito para libertá-los desta sina.

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