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Parque central


     O velho sentado no banco do parque, com as mãos enodadas no cabo da bengala, deliciou-se a ver como esvoaçava na brisa um papagaio de papel entre as árvores. Passado um pouco, conseguiu ver quem o manobrava - um menino duns doze anos, esgrimindo o fio com muita atenção e perícia. Encheu-se de assombro, não por ver uma criança a conduzir um papagaio de papel, mas porque não se sentia nenhuma brisa ou vento em redor. O ar parecia parado, as penas dos pombos desgarradas pelo chão não se mexiam, nem estremecia qualquer folha das árvores em volta. Chamou o menino, que se aproximou dele, andando de lado sem tirar os olhos do papagaio azul e verde.
   - Como é que consegues manter o papagaio lá em cima? Não há vento.
   O  menino riu-se, deu um puxão à corda, e o papagaio caiu em espiral até ficar adornado a uns dois metros deles.
   - É muito fácil. Quer ver?
   O velho disse que sim. O menino recuperou o papagaio de papel, desatou o cabo da armação e lançou-o no ar. O papagaio de papel, batendo as asas, ganhou altura entre as copas das árvores.

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