INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página
   Descendo a avenida ematada por entre a ossatura dos prédios em ruínas, uma revoada de crianças desceu até à parte baixa da cidade, onde quase nunca se aventuravam. Eram oito, de ambos os sexos, as suas vozes e o som dos seus risos eram como um céu aberto. Em redor, ninguém os observava, a única vida presente era a das árvores de troncos deformados, e as trepadeiras grossas como jibóias que serpenteavam pelas janelas dos prédios. Ah! E os ratos e escaravelhos que apareciam por todo o lado!
   As crianças começaram a explorar o novo território, e não tardaram a eleger como centro das suas brincadeiras um autocarro em ruínas plantado no meio das ervas e caniços que fragmentavam o alcatrão da rua. Enquanto uma delas fingia que era o condutor, as outras aguardavam cá fora, e depois entravam em fila no autocarro, enquanto o condutor lhes validava os bilhetes. Repetiam a cena com novos condutores, ou viajavam sentados à janela do autocarro sem rodas, soltando exclamações e apontando os pormenores da paisagem como se estivessem em movimento pela cidade. Enquanto desenrolavam a sua fantasia, chegou uma mulher, a mãe dum deles, para os chamar para o abrigo porque não iria tardar a chover. E todos a seguiram nos seus passos arrastados, dois deles apoiados nos ombros de amigos porque haviam nascido com uma perna a menos - também os havia sem um braço ou com várias outras deformidades.
  - Venham - incitava a mulher, observando com preocupação as nuvens grossas e o pente da chuva a leste - a última coisa de que vocês precisam, é de mais chuva radioactiva!




Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...