Susana, Rosa e Margarida, são colegas de trabalho e amigas, e estão sentadas ao balcão duma churrasqueira a comer frango e a beber cerveja. Susana e Rosa começam a falar ao mesmo tempo, e iniciam a fala com a mesma palavra. Riem-se alto, e repetem o dito: “Não morremos hoje, nem daqui a um ano!”. Margarida vira-se para dentro, eclipsa-se numa penumbra fatalista. 
   Naquela tarde, quando regressa ao quarto alugado em que vive, dispõe sobre o divã a sua melhor roupa e os sapatos de que mais gosta, enfiando na lapela do casaco o isqueiro grená que pertencera a Emídio, o único dos homens que conhecera por quem nutrira algum sentimento romântico. Prepara o seu próprio enterro.


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arenga sobre o amor

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