Página principal e directório:

O paradoxo de Dorian Gray

Quando o jovem morreu, a família construiu-lhe um jazigo imponente encimado por um arcanjo de mármore branco, de majestosas asas abertas. O arcanjo fora esculpido em mármore, ainda que não o parecesse porque a estátua foi-se deteriorando como se de uma pessoa morta se tratasse. Caíram-lhe as penas das asas como folhas, o corpo atrofiou-se e emagreceu, e tornou-se tão delgado que se jurava distinguir-se o relevo das suas costelas. Em pouco tempo, pedaços de mármore, grossos como punhos cerrados, foram-se soltando da escultura, como se ela estivesse, de facto, a apodrecer. Ainda que ninguém o declarasse abertamente, todos acreditavam que, dentro do jazigo, no seu fato de chumbo, o jovem permanecia imputrefacto e belo, como os cadáveres santos que as pessoas de outros tempos veneravam.


Sem comentários:

Enviar um comentário