Aquele homem que ali vêem, de fato azul muito justo e capa vermelha, não é um homem qualquer, é o Super-Homem. Todos o conhecem. Vive no mesmo prédio que o Batman e o Lanterna Verde, e é adepto do Rochinha Futebol Clube, uma agremiação modesta do bairro suburbano em que reside. Todos os dias da semana, o nosso valente Super-Homem levanta-se às cinco da matina para enfrentar três horas e meia de transportes públicos que o conduzirão à cozinha do restaurante Ribamar, onde trabalha como ajudante de cozinheiro. O Super-Homem é uma pessoa satisfeita consigo mesmo e com a vida que leva, não obstante o salário ridículo que aufere, o aumento dos impostos, e a dor ciática que sempre o atormenta nestes meses rigorosos de Inverno. O Super-Homem não é casado, mas vive um namoro prolongado de casas separadas com Luísa Lanuda, uma jovem aspirante a jornalista, que vai vendendo jornais no seu quiosque para aprender alguma coisa do ramo. Poderíamos censurar ao Super-Homem a sua aparente felicidade e bonomia, mas não o faríamos se nos dissessem (porque são poucos os que o sabem), que o Super-Homem possui uma identidade secreta, a de Clark Kent, um jovem herói cheio de super-poderes que se diverte a valer, a voar pelos ares e a salvar as pessoas dos perigos que as ameaçam. Todos os que conhecem o medíocre e pacato Super-Homem, com o seu fato cheio de vincos e a capa rasgada, estão longe de imaginar que ele é o secreto autor dos feitos que fazem as manchetes dos jornais que a Luísa Lanuda vende no seu quiosque. E o mundo também fica mais sossegado, por acreditar que os super-heróis que cruzam o mundo, não são homens vulgares que picam o cartão e descascam batatas em cozinhas enevoadas de vapor.

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