Na cidade e no mundo

- Não gosto disto! – afirmou o multimilionário para o arquitecto, apontando a cornija semicircular do edifício – desfaçam-se das estátuas. Podem oferecê-las aos municípios da região, que esses tipos põem uma estátua em tudo quanto é sítio. Quero um palácio arejado, moderno. Use muito vidro e muito metal na redecoração. Na praça, construam jardins, ergam-se canteiros de flores com árvores e esculturas em material metamórfico.
- Assim faremos, tenho as ideias todas na cabeça. Estou certo de que vai adorar o meu projecto quando o vir!
- Lá dentro não quero quadros nem talha dourada, nem tapeçarias ou cortinados grandes. Tudo moderno, simples, eficaz. Vivemos no século vinte e dois, caramba! Já é altura de fazermos as coisas como deve ser.
- Concordo plenamente consigo, e as obras que o senhor viu no meu portfólio secundam os seus ideais estéticos. E já agora, se não for um abuso, posso fazer-lhe uma pergunta?
- Faça, homem servil, faça a sua pergunta.
- O senhor tem alguma finalidade prevista para o cadeirão de S. Pedro, aquele em que o Papa se costumava sentar?
- Não de todo, é mais uma aberração da qual nos temos de livrar.
- Então, pedia-lhe que mo cedesse. Queria oferecê-lo de presente a um antiquário meu amigo.


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