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escheriano

Desperta de manhã com a sirene dos bombeiros. Devia haver algum fogo. Levanta-se, sentindo-se repousado e cheio de energia. Na cozinha, serve-se de uma caneca de café e de um pão sem nada, e vai até á sala para abrir as janelas. Puxa a fita do estore, e este sobe, mas, do outro lado não reencontra a rua de todos os dias e a luz da manhã, apenas uma sala, exactamente igual á sua, com os mesmos móveis e objectos, e até a noz de cotão sob a mesa de centro que oscila com a corrente de ar. Enchendo-se de coragem, passa uma e outra perna sobre o caixilho da janela e entra na sala simétrica. Como a sua, tem acesa a lâmpada de tecto. Interroga-se se o resto da casa será igual, vai até á cozinha, igual á que abandonara há minutos, com a ressalva do termo do café ainda estar sobre o balcão de mármore, e a caixa do pão continuar cerrada. Suspendendo a respiração entra no quarto. Um homem, ele, está deitado na cama. Julga, precipitadamente, que ele dorme, mas logo se apercebe que tem os braços e as feições contraídas, e que já não respira. Recua até á porta do quarto, e volta á sala. Os estores das janelas estão de novo corridos. Puxa pela fita do estore, e este abre-se, emoldurando um quadrado de céu nocturno sobre a cidade. Pensa e repensa sobre o que deveria fazer a seguir, quando sente que o seu espírito, como o mundo em volta, desaceleram nitidamente, enquanto os seus membros e os seus olhos são tomados por uma sonolência a que não consegue oferecer resistência.


1 comentário:

  1. Muito bom!
    Nem Escher pintaria ou desenharia melhor!

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Rainha

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