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A ciência da impaciência

Estava-se a chegar a hora derradeira, e a família carinhosa apinhava-se á entrada do quarto do velho moribundo. Já fora dada a extrema-unção e o ar estava carregado com o cheiro do incenso. Está por minutos, afirmou uma velha pouco menos velha do que ele, que não pertencia á família, mas estava sempre junto ás famílias na grande comunhão fraterna do passamento. Ele está preso, contrapôs um dos filhos, e com a ajuda imediata de três ou quatro familiares, descalçou-lhe as botas, desabotoou as calças e a camisa, e procurou nas roupas dele, algum laço ou nó que precisasse ser desfeito para que a alma ficasse ligeira e ganhasse voo e altura. A gravata, ajudou outro, o mesmo que lha colocara ao pescoço, preparando atempadamente a grave dignidade do velório. Liberto da gravata, o velho continuava vivo, e a resfolegar como um cão cansado. Acho que é a casa, ponderou outro em voz alta, tem os tectos muito baixos e está a prendê-lo aqui dentro, devíamos levá-lo lá para fora, para ele se ir em paz. E outro argumentou em substituição, um de nós devia deitar-lhe as mãos ao pescoço e acabar com isto, e essa declaração não suscitou nenhum protesto.


Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...