A divisão de Solicitações de Suicídio Transferido, estava a ter um dia normal de expediente. As pessoas chegavam à sala de espera que precedia o Corredor da Morte, tiravam uma senha de atendimento do dispensador electrónico e esperavam a sua vez. A natureza dos candidatos era heterogénea, desempregados, endividados, deprimidos crónicos, alguns doentes terminais, e pessoas que não tinham mais nada para fazer, todos se recolhiam no anonimato das suas histórias e motivos pessoais, sentados uns ao lado dos outros como náufragos sem esperança. A seguir à hora do almoço, as coisas complicaram-se porque se avariou o dispensador de senhas de atendimento. Em pouco tempo, instalou-se o caos, as pessoas discutiam umas com as outras sobre quem havia chegado primeiro e quem tinha prioridade sobre os demais; e ninguém cedia nem ninguém levava a melhor, situação penosa para um momento que deveria ser de tranquilidade e paz. O administrador da divisão de SST, vendo aproximar-se as dezasseis horas, em que todos os serviços eram interrompidos e todos abalavam para casa a tempo de tomarem o chá das cinco, tomou uma decisão radical: "Assim, não vamos lá. Organizem um pelotão de fuzilamento!".

Mensagens populares deste blogue

A viagem

Abril de 1918 - o caminho para uma Primavera de sangue