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O espeleólogo, após duas tentativas falhadas, conseguiu finalmente, passar a barreira pessoal dos quinhentos metros de profundidade na Garganta del Diablo. Precisou de botijas de oxigénio, mas conseguiu. Quando estava quase a atingir a marca, desapareceu o sinal rádio da superfície, mas atribuiu isso ao efeito da radioactividade ou do electromagnetismo de jazidas metálicas do subsolo. Deixou a sua marca na parede do precipício, e regressou. Cá em cima, descobriu a razão da falha de comunicações: estavam todos mortos, caídos por terra sem feridas nem violência, como pés de trigo que o vento quebra numa seara. Sem que ele o tivesse visto e longe da sua percepção, centenas, milhares de bombas H haviam erradicado a vida de toda a região, do país inteiro. Saiu dali, e ficou assombrado com a dimensão da mortandade, corpos na estrada e nas ruas da cidade próxima, da sua cidade, mudos, surpreendidos nas suas rotinas diárias que, um dia, haviam tomado como eternas. Correu pela cidade como um louco, chamou alto pelos seus e chorou diante dos seus corpos. Quando a noite caiu, já os havia sepultado e tentou refrear os nervos para não enlouquecer. Precisava de descansar, mas o sono não vinha, assustava-o mais a cidade do que as trevas do fundo da gruta; e só conseguiu adormecer ao lado duma televisão ligada a coisa alguma, com o ruído desta a manter à distância o silêncio opressivo. De madrugada acordou com sons e vozes de pessoas. Foi á janela e admirou a primeira caravana de colonos vinda do outro lado da fronteira, camionetas cheias de pessoas com os tejadilhos carregados de malas. À frente destas, vinha um contingente de trabalhadores com pás e enxadas; e camiões militares com dezenas de soldados, que já se espalhavam pela cidade, atentos e activos, vasculhando cada escaninho à procura de sobreviventes como ele.

2 comentários:

Rainha

                Subiu lesto os parcos degraus que separavam o átrio do hotel do recinto sobrelevado onde haviam instalado a receção. Ab...