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Superstição

Edward Robertson, o primeiro antropólogo europeu a estudar os Rongos, uma tribo de pigmeus da floresta equatorial africana, descobriu com surpresa que estes se recusavam a ser fotografados porque acreditavam que a máquina fotográfica lhes roubaria a alma. Robertson não desistiu dos seus propósitos, e mostrou aos Rongos diversas fotografias que haviam sido tiradas dele próprio e de outros elementos da expedição, prova evidente da falsidade das suas crenças mas, como os seus argumentos não fossem suficientes, recorreu repetidamente ao suborno, oferecendo mercancias e pechisbeques aos anciãos da tribo até estes acederem à sua vontade. Robertson pôde então tirar múltiplas fotografias aos Rongos, para consubstanciar as descrições e retratos dos seus cadernos de campo. 
De regresso a Inglaterra, foram essas fotos que lhe granjearam reconhecimento e fama, mas mesmo adicionando a esse efeito, a potenciação do orgulho que os europeus sentiam na sua própria civilização e cultura; no continente africano, o poder das fotos foi mais nítido, quando os Rongos se viram forçados a lidar nas suas rotinas diárias, com algumas dezenas de zombies sem alma.

3 comentários:

  1. Muito bom, José. Ao se venderem ao homem branco, de fato perderam suas almas!
    Quando estive em África,no Quênia, pude ver algo semelhante com as tribos Masai.

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  2. Há uma foto sugestiva na Wikipedia (verbete Pigmeus), que despoletou o texto. Pertence ao Collier's New Encyclopedia, de 1921. Aquele explorador pareceria menos imponente ao lado dum Masai vestido com o seu manto vermelho.

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  3. certamente, os Masai são tão altos!
    Vou espiar o pigmeu.

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