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O lado positivo das coisas

Olhou por cima do ombro do irmão, e viu a cobra a deslizar na esquina do armário de parede, descendo para o chão de soalho esburacado.
- A nossa casa está a cair aos pedaços, e a bicharada instala-se aqui como se estivesse no meio do mato.
Trocaram um olhar cúmplice e levantaram-se os dois dum salto, encurralaram a cobra num canto, um fixou a sua cabeça com a escova da vassoura, enquanto o outro lhe decepava a cabeça com a faca de serrilha do pão. Dois dias depois, outra cobra, mas desta vez nem precisaram de se levantar, um dos irmão conseguiu aprisionar a cabeça da cobra com o tacão da bota, e o outro passou-lhe tranquilamente a faca com que descascava a maçã para ele dar o mesmo fim à criatura indesejada.
- Precisamos mesmo de arranjar outra vivenda duplex, as cobras fazem-me impressão.
- A mim também.
Como se quisessem dissuadi-los de se mudarem, as cobras deixaram de aparecer por uns tempos, passou-se uma semana, duas, e nunca mais as avistaram. Num fim de tarde, em que os dois se reuniram à mesa para debicar qualquer coisa, viram um ratito passear no tampo da mesa entre os dois, parecia não os temer, ainda que levantasse de vez em quando a cabeça para avaliar os seus gestos e movimentos. Ambos tentaram não se mexer, sorrindo enquanto o sarafano deslizava nos pratos, deliciando-se com os restos de comida.
- É um bom sinal – disse um dos irmãos, condensando em palavras o que os dois pensavam – onde há ratos, não há cobras!

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...