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Poder de compra

Um toque de telemóvel na atmosfera ronronante dum cabeleireiro, a mulher suspira, pede desculpa à menina que lhe acerta as unhas, e alcança o aparelho. Era a filha.
- Mãe, sou eu outra vez!
- Ainda estás no Centro Comercial?
- Tou, agora encontrei a Vanda e estamos as duas a ver umas roupas, comprei calças de ganga, tops, e uns sapatos de cunha lindos que ficam mesmo a condizer com aquela roupa me compraste para o casamento do primo. Mas não era por isso que te estava a ligar, encontrei um colar de argolas em prata, que tinha muita vontade de comprar. Achas que posso?
- Tu é que sabes se estás muito longe do limite do cartão de crédito, mas faz como quiseres. Já é a terceira vez que me ligas a perguntar, e eu daqui não estou a ver os artigos nem os preços. Confio no teu bom gosto.
- Tá, brigada, mãe!
Voltou a recostar-se na cadeira, folheando uma revista com a mão desocupada. Quando a empregada passou das unhas das mãos para as dos pés, o telemóvel toca outra vez.
- Mãe, sou eu! A chamada parece que tem interferências.
- O que é desta vez? Um iPod ou ou portátil?
- Não, mãe, agora é que preciso mesmo do teu conselho. Quero comprar um irmãozinho.
- Um irmão!! Não sei se podemos?
- Mãe, não sejas negativa! Ele está em promoção, já foi à revisão e tem as vacinas em dia. A vendedora da loja diz que ele tem os dentes em muito bom estado e é muito asseado. Posso, mãe?
- Não sei...
- Vá lá, mãe, eu nunca tenho companhia quando tu e o pai estão fora de casa....
- Está bem, mas antes de fazeres a compra vê se ainda tens dinheiro no cartão, só para não passares vergonha.
- Obrigado, mãe! Acho que o vou chamar de Rex.

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...