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divórcio


«Vivo sozinho e, no entanto, estou sempre acompanhado, tenho um duplo, uma imagem especular de mim mesmo que tira prazer de viver os dias dentro desta casa de um modo distinto de mim, se eu estou acordado, ele anda enroscado nalgum canto ou gaveta a tentar adormecer, e se eu durmo, dança sobre os móveis e nos tectos de estuque, quando falo ou grito, consigo ouvir o desfalecimento dos sons no vácuo cavado em volta da sua cabeça e se, inversamente, tento reflectir um pouco nos meus momentos de tranquilidade, é difícil selar os meus ouvidos aos seus gritos e cânticos triunfais. A minha vida dentro desta casa tem esta virtude ou este malefício ao qual me é impossível escapar, são como as duas faces duma mesma moeda ou as metades nocturna e iluminada do nosso planeta, unas e distintas, distintas e indissociáveis. E não preciso de mais imagens para expor o meu drama, basta-me apontar esta realidade factual: dentro desta casa e mal entro pela sua porta, eu e a minha sombra, levamos vidas paralelas!». 

1 comentário:

  1. Que difícil deve ser viver sem unidade, mesmo que por algum tempo.
    Desejo um "casamento" a este personagem, mesmo que imperfeito ou incompleto!

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