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Privado

O café-pastelaria situava-se numa daquelas ruazinhas pedonais do centro da cidade, e o seu espaço interior era tão reduzido que o casal de proprietários do lugar recorreu a um truque habitual: fizeram revestir com um espelho gigante a parede diante da entrada, o que dava aos presentes a ilusão da profundidade, e fazia o estabelecimento parecer muito maior e melhor arejado. 

Uns dias depois do hábil artifício ter sido instalado, entra no café um homem com andar apressado que não vem para beber nada, está aflito e procura os sanitários, e encaminha-se para o espelho em passadas largas, mas antes que se dê a (esperada) colisão com a superfície vítrea, sai do espelho a dona do café, que o segura por um braço, gentil mas com firmeza. E num tom de voz igualmente cortês, explica ao recém-chegado, que aquela é uma passagem reservada ao trabalho, que só ela e o marido estão autorizados a utilizar.  

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...