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Akaba

Em Akaba, segundo satélite habitado do planeta Akabado, vivem os Argutos, gente sofisticada e muito inteligente, que acorda a inventar aforismos, e prossegue o resto do dia sem falar com ninguém, mas mergulhados num estado permanente de criação literária, filosófica e religiosa. Quando a Akaba chega algum estrangeiro, á fatal que se sinta deslocado e pouco confortável, andando no meio dessa gente bizarra que é capaz de declamar as vinte e três mil proposições teológicas ou as oitocentas mil odes ao infinito, mas que se revela incapaz de reconhecer a parentela e possui um dificuldade crescente para se lembrar do seu próprio nome. Por vezes, o inconformado estrangeiro ainda cede ao propósito estéril de mudar alguma coisa e chamar os Akabados á razão, falando-lhes dos seus e fazendo perguntas sobre o passado e a infância, e o planeta que eles conheceram há dois ou três séculos, mas tarde ou cedo, descobrem que isso é tudo em vão, e partem de Akaba do mesmo modo como chegaram, invisíveis, não fossem espíritos os Akabados, seres etéreos que há muito deixaram para trás as suas carcaças pesadas, e que erram em torno das suas ideias e dos rochedos da sua terra, empurrados por uma tristeza fatalista que nunca mais acaba e que lhes sai da cabeça em palavras e ideias que sedimentam na paisagem como a areia estéril.

3 comentários:

  1. Sabe José, por vezes eu desejava que pudesses ser o "outro", estar dentro de quem lê o que escreves. Ias ter uma surpresa, eu creio.
    A qualidade de seus textos, a inventiva e a forma de colocar as
    idéias, é coisa rara, bastante rara. Creia-me!

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  2. Obrigado, Angela (sempre generosa), mas se eu estivesse dentro de quem lê o que escrevo, talvez na forma duma ténia ou lombriga, a surpresa aconteceria se essa pessoa se lembrasse de se desparasitar ;).

    um abraço

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  3. Ora meu amigo José,
    tudo é uma questão de enfoque.
    O meu é psicológico, existencial, anímico. Mas, se fosses uma tênia, dentro de mim e isto te desse acesso à minha alma, mas me tornasse uma escritora com teus dons, certamente não quereria me desparasitar! :D

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Rainha

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