Um homem não é nada, não é um rochedo de pórfiro, uma viga de aço, um molhe de pedra, cai-lhe uma parede em cima, é apanhado pela força descomunal dum carro acelerado, engolido por uma vaga tímida, ou engasga-se com uma côdea de pão, e desaparece, como uma bola de sabão que arrebenta. Não fica nada. Seria de supor que a magnitude da força de um homem, fizesse subir a fasquia, e que fossem necessárias catástrofes bíblicas para aniquilar um homem poderoso, mas nem nisso podemos estar seguros. Tome-se o exemplo do duque d’Alençon, um dos guerreiros mais temíveis do seu tempo. Venceu batalhas sem conta, e derrotou inimigos em torneios, era uma figura pavorosa, de porte gigantesco, sempre envergando a sua armadura negra e o seu elmo banhado a prata. Com a fortuna reunida em conquistas e saques, ergueu para si um castelo apalaçado que todos consideravam inexpugnável, com muralhas de cor negra, como a sua armadura, e um belo dia, no centro do seu jardim, morreu quando uma folha de avelaneira pousou na sua testa descoberta, sem mais, a folha pousou e ele caiu fulminado.

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