INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página
- João, acorda, vá, acorda!
- O que foi? Algum ladrão?
- Não sei, acho estranho, não se ouve o rio, a gente ouve sempre o rio, esteja zangado ou esteja para amores, ouve-se sempre o rio…
- Velha, acordas-me para andares com poesias? Deixa-me dormir…
A mulher levantou-se, enrolou um xaile ao pescoço e calçou as suas tamancas enlameadas. Quando saiu á porta, a sua surpresa não foi muita, o rio subira mais uma vez e a margem era ali mesmo, a um metro da porta, e corria depressa sob o luar, engordado com fragmentos de vegetação e carcaças humanas. Sustendo a respiração como se fosse mergulhar de cabeça, meteu as pernas na água escura e ensaiou alguns passos até segurar o velho bote de pesca que pairava junto á casa como um fiel animal de estimação. Amarrou a corda do barco ao batente da porta e voltou ao quarto, asinha. Junto ao leito, afastou o andarilho do seu homem, e pegou nele como se pega numa criança crescida. Ele continuou a dormir enquanto era carregado até ao exterior, e só entreabriu os olhos quando ela o deitou no fundo do barco.
- Velha – ouviu-o resmungar – destapaste-me outra vez!

(“Quando o rio não faz ruído, ou não leva água, ou vai crescido” – adágio tradicional)


Rainha

                Subiu lesto os parcos degraus que separavam o átrio do hotel do recinto sobrelevado onde haviam instalado a receção. Ab...