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Vida Sacra I

Primeiro dia no emprego, e recebeu logo uma incumbência da maior importância, fora ele o escolhido para administrar a injecção letal. O condenado esperava-o numa divisão ampla e iluminada, cuja parede livre era preenchida por um vidro que permitia o visionamento da morte por convidados e imprensa. Foi tudo muito sereno e sem dramas, o que não era estranho ao facto da primeira injecção que lhe coube dar, colocar o condenado num estado em que, mesmo que o sentisse, não poderia exteriorizar a sua dor ou medo. Aquele acto não abalou muito o guarda, recebera treino e formação, e tinha nervos de aço.

Naquela noite, enquanto assistia em casa a um filme, tocaram á campainha e foi espreitar. Eram seis agentes da polícia, fardados a rigor e com um ar carrancudo. Mandou-os entrar para a sala e, só então, o mais graduado lhe explicou ao que vinham.

- Hoje mataste um homem que havia morto outros homens. Ele já pagou, é a Lei de Talião, olho por olho, dente por dente, vida por vida. Como mataste um homem, agora é a tua vez de pagares com a própria vida. Trazemos uma ordem para te prender, para seres julgado e morto. Não vão ser necessárias muitas provas...todos viram.

Encolheu os ombros, o que diziam fazia sentido, mas lembrou-se de perguntar.

- E se for preciso que seja um de vocês a matar-me? Qual é o que está mais preparado?

Levantaram-se de imediato seis dedos indicadores apontados, todos elegendo um dos seus colegas.


A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...