Um pouco por se sentir tristonha e insegura, um pouco por não trabalhar e não ter em que ocupar o tempo e a pensamento, ela orbitava em volta das suas dúvidas e perguntava-lhe com insistência: “Amas-me?”. Sim, respondia ele, tentando lembrar-se de quantas vezes ela lhe perguntara aquilo naquela semana, “Amo-te até ao fim dos meus dias!”. Era um diálogo construído sobre dois monólogos – amas-me-amas-me, sim-amo-te-sim-amo-te. Com o tempo, ela deixou de perguntar, porque não tinha a quem perguntar. Ele saíra de casa, mas ironicamente, mesmo sem ele ali estar, as suas dúvidas haviam-se convertido em certezas, ele amava-a, até ao fim dos seus dias, mesmo que houvesse alguma distância pelo meio.


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