O Mar da Tranquilidade

O homem era um permanente dínamo de ansiedade e nervos, mal se levantava da cama, e se não via um chinelo a jeito, começava a resmungar: Ainda ontem aqui o deixei, isto é uma coisa impressionante! E toca de coleccionar monólogos enervados. Não consigo obrar, isto é uma coisa impressionante! O leite nunca mais ferve, isto é uma coisa impressionante! Onde é que deixei o relógio, isto é uma coisa impressionante! Lá está a parva do segundo esquerdo a ralhar com os netos, isto é uma coisa impressionante! Já reviraram outra vez o tapete, isto é uma coisa impressionante! Sai á porta e diante dos seus olhos o seu carro está reduzido a um feixe de chapas e peças metálicas, esmagado por um meteoro – Agora como é que eu encontro a fechadura do carro? Isto é uma coisa impressionante!

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