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noveauté

Quando a manhã amanheceu no bairro (mais ou menos na mesma altura em que se lembrou de aparecer nos bairros e terras em redor) os transeuntes matutinos descobriram algo insólito - a velha palmeira no quintal do senhor Quatorjuille encontrava-se decapitada. A parte superior com o capitel e as folhas tinha desaparecido, e o tronco terminava em bico como uma tosca estaca afiada. As pessoas passavam e interrogavam-se se teria sido efeito da tempestade da véspera, ou se tinha sido o senhor Quatorjuille a cortá-la por algum estranho motivo, aliás, todos os que por ali passavam habitualmente, reparavam no mesmo e comentavam com inquietação, como se lhes tivessem contado da doença dum amigo ou familiar. Neste desfile de opiniões, argumentos e impressões, calhou por fim a vez duma palmeira desfilar pela mesma rua, uma palmeira tão velha como a outra, mas que conservava o seu belo toucado vegetal. Ao contrário das pessoas, esta palmeira não se mostrou impressionado com a visão da árvore decapitada, e não só não emitiu nenhuma opinião ao respeito, como prosseguiu imperturbável o seu caminho enquanto cantava alto A Marselhesa, movida por puro fervor revolucionário.

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