magonia

Diante de múltiplas câmaras de filmar, que abririam passagem para a casa de largos milhares de espectadores, o célebre mago televisivo iniciou a sua actuação, ajudado por duas beldades louras vestidas de odaliscas. Foi levantado uma lona gigantesca entre dois postes, diante dum Citroen 2 cavalos, ele formula umas palavras mágicas num dialecto estranho enquanto os tambores rufam, e puxa a corda que segura a lona, esta cai, e todos os olhos e tele-olhos descobrem com espanto que a viatura se esfumara nos ares. Ainda não haviam recuperado da surpresa e já um jipe militar reboca para o palco um helicóptero, e o mago repete a proeza, para êxtase da multidão. Depois dalguns compromissos publicitários que rentabilizam as audiências conquistadas, o mago faz desaparecer em sequência, uma avioneta civil e um avião de combate. Quando pretende dar por terminado o seu show, uma das suas assistentes passa-lhe um walkie-talkie. Do outro lado do aparelho, uma tensa voz anasalada identifica-se como sendo o responsável pelo acondicionamento das aeronaves daquele porta-aviões e pergunta-lhe, com um tom irritado, se ele iria precisar por muito mais tempo do elevador do convés.

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