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Gen., I, 26

O homem, o escriba, lembrou-se de escrever uma frase próspera: «Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”». O escriba pousou a cunha com que gravava numa tábua de barro, levantou-se e encheu o peito do ar. Repetiu aquelas palavras entredentes, desfrutando do seu eco sibilino. Deus no céu e o homem na terra, as duas pontas do mesmo eixo à volta do qual tudo rodava. Saiu da tenda e olhou em volta e achou que tinha razão em pensar assim, tudo estava ordenado e submetido pela sua vontade, os animais no curral, as plantas dóceis que cresciam nos campos amanhados, a acéquia que haviam criado para irrigar os campos, e as brasas que coruscavam no centro do terreiro como se guardassem o espírito do raio. Somos como Deus, disse para si, está tudo ao nosso dispor, como uma noiva no leito, uma noiva que podemos amar e cuidar, mas também desprezar, magoar, mutilar. Quando voltou para a tenda, o homem que se sentia um rei já concebera as palavras que se seguiriam: “Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra”.

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...