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Quero lá saber!

Os moradores do prédio degradado não pintam o prédio, não limpam as escadas, não lavam o terraço amplo no topo. Não se lhes pode pedir muito, são inquilinos dos antigos que pagam uns tostões pela renda e que acordam todas as manhãs com a ansiedade de confirmarem se o prédio se mantém intacto, ou se houve alguma derrocada. Deste modo, o prédio já quase não tem tinta nas paredes, porque não cabe a eles pintá-lo, a sujidade e poças de urina nos degraus da escada também não são da sua conta e só têm de contornar o que lhes desagrada, e também não lembraria a nenhum deles ir varrer ou lavar o terraço no topo. Neste caso, ainda bem que é um terraço e ainda bem que chove. A água da chuva leva e lava tudo á frente, escoando-se defeituosamente pelas goteiras enferrujadas e cheias de buracos. Nesta última chuvada, a água que escorreu pela goteira vinha avermelhada, da cor do sangue, era visível nas paredes e no passeio junto ao prédio. Mas os moradores do prédio degradado não deram qualquer importância, não lhes cabia limparem aquela porcaria, e não era da conta deles se, agora, o senhorio decidira usar o terraço como talho.


A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...