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Outros dados, e cartas, no final da página

O nosso grupo de amigos vinha de longe, primeiro, colegas de escola, alguns camaradas da tropa, todos sem nos perdermos de vista, e todos a colocar o mesmo empenho em arranjar um trabalho e uma casa e uma mulher. O primeiro a casar foi o Gonçalo, e marcamos a despedida de solteiro para a semana anterior ao evento, um jantar seguido de um sarau de copos e uma ronda pelos bares da onda. Éramos cinco e cabíamos todos no mesmo carro, e a quem é que iria calhar ir ao volante? Sobre isso não havia dúvidas, o Sérgio! O Sérgio não bebia, nunca bebia, era abstémio e frugal como um mórmon. Depois calhou a vez do Jacinto se casar, e nova despedida de solteiro e de novo o Sérgio a conduzir o carro dos folguedos. Na vez seguinte, a coisa não foi tão simples, era o próprio Sérgio que ia casar, marcou-se um dia para a despedida de solteiro, mas o Sérgio, que continuava a não beber, recusou-se a servir de motorista na sua própria festa, e a nenhum dos outros apeteceu-lhe passar uma noite de folia a beber água mineral ou sumos de frutas, porque assim, nem as tipas do strip-tease iriam parecer tão belas. A coisa compôs-se dentro destas contingências. Organizamos um périplo mais reduzido, e o Sérgio foi sentado no banco de trás do carro, enquanto eu e os restantes empurrávamos o carro pela rua fora, fazendo os nossos cânticos e lamúrias rivalizarem com as buzinadelas e insultos saídos dos carros que nos ultrapassavam.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...