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No sábado anterior e no sábado antes desse e em todos os da sua vida austera de reformado, ele cumpria o mesmo ritual - vestia o seu fato puído e a sua gravata descorada, tirava do guarda-fatos a sua mala com rodinhas e ia sentar-se durante algumas horas na sala de espera do aeroporto, com o passaporte seguro nas mãos suadas e o olhar inseguro a seguir os movimentos dos aviões na pista.

Mas isso foi no sábado anterior e no sábado antes desse e em todos os da sua vida austera de reformado, porque hoje ele não foi ao aeroporto, ficou em casa, a escrever uma carta aberta para um jornal diário, onde comenta amargamente os transtornos causados pela greve de pilotos.


(imagem daqui)

3 comentários:

  1. José,

    um belo retrato. O seu, escrito.

    E passar a vida assim: sem ousar "levantar voo", sempre à espera e a lastimar os transtornos que não se enfrentam.

    beijos

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  2. Lindo isso. Nem sei se triste ou apenas poético. A vida real pode não ser a concreta e aparente e aí está a beleza que vi.

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  3. Por vezes carregamos com coisas a mais, para conseguirmos levantar voo, e isso acaba por ser mais um peso. Asas formadas com penas unidas com cera, já não servem

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