No sábado anterior e no sábado antes desse e em todos os da sua vida austera de reformado, ele cumpria o mesmo ritual - vestia o seu fato puído e a sua gravata descorada, tirava do guarda-fatos a sua mala com rodinhas e ia sentar-se durante algumas horas na sala de espera do aeroporto, com o passaporte seguro nas mãos suadas e o olhar inseguro a seguir os movimentos dos aviões na pista.

Mas isso foi no sábado anterior e no sábado antes desse e em todos os da sua vida austera de reformado, porque hoje ele não foi ao aeroporto, ficou em casa, a escrever uma carta aberta para um jornal diário, onde comenta amargamente os transtornos causados pela greve de pilotos.


(imagem daqui)

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