Fim de tarde delicioso á beira-mar na enseada de S. Martinho do Porto, um sol em esplendor a dourar as águas, tingindo as colinas em redor de uma luminosidade pictórica, quase mediterrânica. Podia-se imaginar que se estava nas ilhas gregas ou em Siracusa, e aquela luz seria complacente com a fantasia. O turista sem dinheiro que viera a penates do norte da Europa, sente-se contagiar por aquele espectáculo de luz e calor. Pelo menos por aquela noite, ainda deveria estar safo, para se recolher uma vez mais num dos barcos que querenam na areia e adormecer sem medo da chuva. Dormir, mas só depois de uma refeição frugal. Desenrola o pequeno tapete que comprara na loja dos chineses, senta-se em posição de ioga e toca flauta (um trecho de Verdi, para condizer).


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