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Fotomaton, ou vampirismo light

Senta-se num banco numa rua pedonal entre prédios, está uma tarde agradável, morna e palpitante como um corpo que repousa, puxa dum bloco de notas e de uma caneta, e sorve o ambiente com as narinas dilatadas do seu espírito (também nunca foi nenhum Ás em anatomia), ao nível da copa das palmeiras com cachos soçobrantes de pequenos frutos, uma senhora de cabelos brancos com tótós dependura roupa no estendal de chão duma marquise em vidro e alumínio, por baixo dela, há uma esplanada com mesas de plástico, delimitada por pinos altos por onde passa uma corda de marinharia em sisal, nas mesas há pessoas que contrariam o calor com cervejas e pires de amendoins, que comem depois de esboroar as suas cascas teimosas, acima de todos alguém deixou uma janela aberta num apartamento para partilhar os seus gostos musicais, e os feiticeiros Creedence Clearwater Revival cantam I Put A Spell On You, mas não surte efeito, a mulher continua a sua dança de peças e molas de roupa, os amendoins continuam a ser supliciados nas mesas da esplanada, e a caneta continua a correr tinta no bloco de notas, pelo menos por mais um bocado, até este . (Ponto final).

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...