A empregada da imobiliária foi recebida á porta por Anaveldo Tomásio.

- Quero vender a minha casa! – recordou Anaveldo Tomásio.

Ela olhou em volta, fazendo uma avaliação silenciosa. À excepção duma cama de rede estendida num canto entre duas paredes, a casa estava vazia, não havia móveis, livros, televisão, cortinados com pendentes. As paredes nuas e brancas, como uma ala de hospital.

Enquanto ela examinava as divisões, Anaveldo tossia persistentemente para o ar, como se tivesse os pulmões colados ás costas.

- A casa tem pouco valor, está despida e não tem recheio nenhum.

- Agora já tem! – retorquiu Anaveldo – acabei de a rechear.

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