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(des)conhecidos

Quando se mudou para o bairro novo da periferia, aos poucos, começou a conhecer um pouco melhor a vizinhança. Um dos primeiros rostos que se tornou familiar era o de uma jovem que morava um pouco mais abaixo na sua rua, na outra margem desta. Ambos saíam para o trabalho por volta da mesma hora e cruzavam-se sempre, pelo que se começaram a cumprimentar com um aceno da cabeça ou um sorriso como ilustração de um Bom-dia mimado pelos lábios. O curioso é que a vizinha devia ser estrábica porque enquanto um dos olhos fitava a rua em frente, o outro olhava enviesado o espelho retrovisor do lado direito. Por força do acaso, os dois encontraram-se na mercearia do bairro, apresentaram-se ambos e ficou a conhecer o seu nome, mas, coisa estranha, aí ela não lhe pareceu estrábica já que os dois olhos o fixavam de forma igual e paralela.

- Desculpe a indelicadeza, mas vendo-a na rua, cheguei a pensar que você sofria de estrabismo.

- Ora essa! Não é indelicadeza nenhuma, e não sofro de estrabismo – e já o seu olho direito espreitava para o lado como se morresse de vontade de olhar por cima do ombro, e numa voz mais discreta, continuou – fico contente de nos termos conhecido e do senhor me aparecer sempre pela frente. É que existe alguém que me segue o tempo todo, e em todo o lado para onde vou, daí que eu nunca consiga resistir a tentar ver a cara dele.

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