Casa devassada


Originado talvez por alguma experiência de infância de que não se lembrava – daquelas que os psicólogos andam sempre á cata – ela possuía um terror dissimulado da sua própria sombra; mesmo correndo o risco de assumir comportamentos estranhos e suspeitos, ela procurava sempre posicionar-se diante das fontes de luz de maneira a reduzir a estatura da sua sombra, ou mesmo anulá-la, fundindo-a com sombras maiores como as das árvores e dos prédios. Andou nestes jogos com a sua sombra durante anos sem conta, até ao dia em que a sombra se cansou da brincadeira e entrou dentro dela. Os outros, os que não a conheciam nem ao seu drama particular, acham apenas que ela endoideceu de vez.

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