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Casa devassada


Originado talvez por alguma experiência de infância de que não se lembrava – daquelas que os psicólogos andam sempre á cata – ela possuía um terror dissimulado da sua própria sombra; mesmo correndo o risco de assumir comportamentos estranhos e suspeitos, ela procurava sempre posicionar-se diante das fontes de luz de maneira a reduzir a estatura da sua sombra, ou mesmo anulá-la, fundindo-a com sombras maiores como as das árvores e dos prédios. Andou nestes jogos com a sua sombra durante anos sem conta, até ao dia em que a sombra se cansou da brincadeira e entrou dentro dela. Os outros, os que não a conheciam nem ao seu drama particular, acham apenas que ela endoideceu de vez.

4 comentários:

  1. Que conto bom!
    é bem do gênero que aprecio, psicológico com nuances de terror!

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  2. meu amigo, está em férias?
    Tudo bem com você?
    Estou preocupada...

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  3. Está tudo óptimo, Angela, só ando um pouco mais mandrião do que o costume, devo estar para hibernar ;)

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  4. Ah! sim! Também me assemelho aos ursos! Bastante mel pra ti!

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