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o grande ?

O Governante da Nação viu-se num dilema (os dilemas são muitos para os Governantes da Nação, espécie conhecida pelas olheiras causadas pela insónia, e pela coloração anémica da sua pele), e o dilema era o que se segue. Dum lado tinha as classes desfavorecidas da nação, onde o desemprego aumentava, mas onde podia sempre aumentar um pouco os impostos, apenas um pouco, como se retesasse a corda dum arco, do outro, tinha os mais abonados, os capitalistas e as grandes financeiras, cujo dinheiro circulava com agilidade e mantinha lubrificada a engrenagem do país; aí, podia sempre aumentar um pouco mais os impostos, porque não teria a temer uma sublevação popular, mas essa medida, impopular entre os visados, poderia comprometer a recuperação da economia e a acumulação de fundos não declarados para as eleições que se aproximavam. O Governante da Nação andou dias, semanas, nesse dilema, varando noites e dias sem dormir como um anacoreta do bem público, e quando saiu do seu covil administrativo, tomara a mais dolorosa das resoluções – aumentaria com delicadeza os encargos sobre os mais desfavorecidos numa pílula amarga revestida pela cobertura adocicada do discurso populista e das promessas para o futuro; ao mesmo tempo que reduziria a carga fiscal dos mais ricos - uma medida difícil e ingrata para estes. Apesar de tudo isso, o Governante da Nação sabia tratar-se do melhor que podia fazer, desejando ele o bem, única razão pela qual lhes queria oferecer, a oportunidade de contarem com ele como Governante da Nação por mais uma legislatura.

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