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A nova retina

Ela saiu para ir á praia com os filhos, e ele sentado na sala da casa de família, com o portátil nos joelhos, numa concentração devota, voltou e ele ainda lá com algumas migalhas em volta dos sapatos e um lata de refrigerante vazia ao seu lado no sofá, ela deixou-o ficar, foram ao Centro Comercial, e á gelataria, e regressaram com o sol nos olhos, mas ele não saíra do mesmo sítio. Sem exaltações, a mulher levantou o portátil diante do seu olhar ansioso, e pousou-o em cima da mesa.
- Vai apanhar um pouco de ar, faz-te mal estares tanto tempo assim, para a semana voltamos para Zurique e tu ainda não viste ninguém da tua terra. Olha, a tua prima Júlia está sentada no miradouro, vai até lá e conversa um pouco enquanto nós tratamos do jantar!
Ele levantou-se contrafeito, incompleto como a tarefa que estava a fazer, mas lá se decidiu a sair de casa, empurrado pelos olhares de censura da sua famelga. Chegado cá fora, olhou em volta como um peixe fora de água. Sim, o miradouro, já se lembrava! Subiu a colina em passadas largas, e encontrou a prima sentada num banco a olhar o vale lá em baixo, com um ar melancólico.
- Olá prima, como tem passado?
- Bem! E o primo! Não acha que está um pôr-do-sol maravilhoso?
Ele olhou o vale como ela, mas não soube dar uma resposta.
- Espere um momento - pediu - volto já!
Correu até casa, resgatou o portátil e voltou a correr para o miradouro.
Abriu o portátil em cima do banco, ligou-lhe a webcam virada para o vale, e esperou até ter uma imagem enquadrada da paisagem.
- Tem toda a razão, prima - respondeu com os olhos fitos no monitor - está um pôr-do-sol lindo!!


Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...