A errância e o erro

Aquele escritor absolutamente desconhecido apareceu nos escaparates das livrarias com uma obra com um título promissor: “Dilúvio – O Fim do Mistério”. Ninguém sabia qual o dilúvio que a obra tratava (nem folheando as suas páginas, nem lendo o livro por completo) – se o dilúvio dos patriarcas, o dilúvio de obras para-históricas e ambíguas como aquela, o dilúvio das monções, o das chuvas ácidas, o das parvoíces das campanhas eleitorais. Mas a obra vendeu bem, saiu navegando sobre as ondas da crise e dos bramidos dos críticos; e na casa do escritor, entrou-lhe pela janela uma pomba roliça com um ramo de oliveira no bico. Havia chegado o fim da errância.

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