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Crónica de uma morte inesperada

O suicídio da jovem foi um sombrio e completo mistério. Aparentemente, preparara a sua morte com uma calma assombrosa, determinando quem deveria ficar com o seu dinheiro e bens, todos os pormenores esmiuçados e solucionados de alguém que prepara com tempo, uma longa viagem. Uma semana antes, pedira uns dias de férias, e no dia da tragédia apanhou o táxi até ao lugar fatídico, que já fora escolhido de antemão: um ponto da via férrea situado poucos metros depois duma curva pronunciada. Era natural que se a máquina viesse em sentido oposto, talvez tivesse tempo de travar antes de a colher, mas isso não sucedeu porque mesmo a hora do suicídio fora determinada por ela, uma vez que encontraram na carteira um papel dobrado com o horário e o sentido dos comboios que circulavam por aquela linha.
O policial encarregue do caso, decidiu investigar se havia algum pormenor que contrariasse a opinião geral de que era um caso de suicídio. Entrevistou familiares e amigos, e todos lhe disseram o mesmo, ela matou-se e as razões que a levaram a isso, levou-as com ela, só a ela e a Deus pertencem. Como era um investigador obstinado, o policial reconstituiu a sua morte. Com um horário dos comboios no bolso, apanhou um táxi à porta da casa dela á mesma hora em que a tinham visto a entrar para a viatura, viajou nele e apeou-se no ponto mais próximo daquele troço de linha, caminhou em seguida até à curva onde o corpo fora encontrado decepado, e depois de consultar o relógio, deitou-se como ela, com o pescoço apoiado na ferro do carril.
Isso não adiantou nada ao conhecimento geral. A morte de ambos permanece um sombrio e completo mistério.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...