Ana Murta era uma mulher convencional, formada e empregada, com uma ligação sólida com um amigo de longa data, e com boas perspectivas de auto-editar um livro de (imaginem) poesia. Não obstante tantas coisas que considerava positivas, o erro perpetrado num ficheiro informático de uma firma de cosméticos fazia-lhe chegar a casa, regularmente, um catálogo de produtos endereçado a Ana Morta. Como não era supersticiosa, Ana Morta ou Murta seguiu com a sua vida e nunca se deu ao trabalho de corrigir a gralha dos catálogos. Isto para infortúnio dum certo jovem púbere de cabelos castanhos que era o carteiro habitual naquele bairro, e que a olhava com uma certa reserva assustada, depois de, nas primeiras vezes, a ter despido e devassado com o seu olhar lascivo.

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