INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página
Uma sala, oval, metade da perímetro da sala constituído por um parede de vidro translúcido que dá, supõe-se para um jardim, talvez com roseiras e árvores floridas e talvez uma piscina onde uma beldade loura e nua boiará numa colchão de ar sob um sol generoso de Agosto, e digo supõe-se, porque o vidro é translúcido, percorrido por ondas fantasmagóricas de azul, verde e dourado (o Sol ou o cabelo da loura) e nada de concreto se pode afirmar sobre o que existe do outro lado; dos elementos que se oferecem ao nosso olhar apenas podemos inventariar objectivamente o que existe dentro da sala: uma mesa comprida, algumas cadeiras, um aparelho eléctrico colocado ao lado da mesa como um rádio-transístor dos antigos, diferindo destes por alguns fios que saem dele e que terminam em eléctrodos prateados. Não há mais objectos. Se tivermos tempo, ainda conseguimos isolar com uma perícia laboratorial, uma mancha castanho-escuro no tampo da mesa, oriunda dalgum derramamento de sangue, isso conduz-nos à certeza de que acabamos de entrar numa sala de interrogatório e tortura. E quando chegamos aí, é com nítida ansiedade que conseguimos, ainda, imaginar que do outro lado daquela parede, existe verde e água, e uma loura que dentro de instantes nos oferecerá um daiquiri enquanto nos acaricia o peito com os seus cabelos molhados.

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...