INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página
Sempre que se justificava, ou lhe era pedido, o caseiro trazia até á casa grande da herdade o que a terra e os animais davam. Alfaces, frutos e tubérculos da horta, ovos do galinheiro, laranjas sumarentas, figos deliciosos...Entregava tudo á patroa, entrando na casa pela porta da cozinha, carregava os produtos em cestos, ou baldes de plástico com etiquetas apagadas de banha de porco, e depositava-os timidamente junto á despensa, retirando-se acto contínuo com o olhar baixo, e esfregando entre as mãos o velho boné cinzento. A patroa achava que ele andava triste, sempre fora um homem reservado e distante, mas nos últimos tempos achava-o triste como uma sombra. Ainda lhe perguntou se ele precisava de alguma coisa, dinheiro, roupa, ou de um médico. Mas ele negava, embaraçado por ser motivo de atenção. Uma tarde, com outros baldes com batatas que trouxera do anexo, já desgreladas, veio um balde vazio, com o fundo raso de água. A patroa perguntou para o que era aquele balde, e o caseiro confessou com um meio-sorriso que viera por engano, e que a água era sua, e salgada. A patroa não percebeu, pelo menos naquele dia, e aquela resposta só se tornou clara quando encontraram o seu corpo pendurado de uma corda numa das árvores do pomar.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...